Para conversar é preciso ter competência

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Numa das minhas palestras, uma moça simpática me perguntou: “Porque é que ninguém mais sabe conversar?”

Fiquei intrigada, afinal era uma palestra sobre o peso das emoções no ambiente de trabalho e, mesmo assim, ela “ousou” fugir totalmente do tema.

Mas pensando bem, ela tem toda a razão para questionar. Afinal, é preciso ser sensível e emocionalmente disponível para perceber essa falha, hoje, nos relacionamentos.

Depois desta pergunta, comecei a reparar que as mesas dos bares estão sempre lotadas, mas de gente berrando para se fazer ouvir.

Nesses encontros ninguém parece de fato muito entretido com o outro. Lembram personagens de cinema mudo, todos parecem agitados, com muito sorriso nos lábios e, é só.

Conversar não é simplesmente contar para o outro como foi o dia, as agruras do trabalho ou se a novela ou o filme foi bom, conversar exige muito mais.

Supõe disposição para ouvir o que o outro tem a dizer, dar importância para o que foi dito e só depois incluir o que se pensa.

Além disso, é preciso ter repertório grande de assuntos para que a conversa nunca acabe. Por isso, é preciso que a pessoa se interesse por um monte de coisas diferentes.

Saber conversar é uma atividade tão séria na vida profissional, que as mais importantes universidades americanas incluíram nos seus currículos acadêmicos uma matéria chamada “Competência Social”.

Nessa aula, os alunos de MBA e Pós-graduação aprendem como fazer para dominar vários assuntos e fazer uso deles, por exemplo, numa negociação.

Essas universidades entenderam que para um profissional ter sucesso ele deve saber mais sobre essa arte. Porque como nem todas as pessoas gostam de falar sobre vinhos, música, futebol ou novela é preciso conhecer outros assuntos.

O bom dessa história é que para ter um repertório variado de assuntos basta começar a se informar. Para quem não tem idéia de como fazer, seguem algumas sugestões:

• Obrigue-se a ler ou ouvir pelo menos um jornal todos os dias. Não é necessário se aprofundar nas notícias. Lendo as manchetes e os artigos mais importantes você estará apto a responder sobre qualquer assunto caso ele entre em pauta numa conversa.

• Procure saber sobre os livros que estão sendo lançados, se puder leia o resumo, já é suficiente para não fazer papel de bobo se alguém resolver perguntar se você já leu o tal livro. Com isso é possível responder: “Achei o tema bacana é o próximo na minha cabeceira”.

• Procure se informar sobre os novos programas dos canais fechados e da TV aberta, em geral isso é suficiente para propor muito papo.

• Vá ao cinema, mas não assista só filmes do circuito Blockbuster, aprenda a gostar da “sétima arte”, mas lembre-se que é preciso ter um pouquinho de paciência, esses filmes são mais lentos e sem os tais efeitos especiais.

• Freqüente vernissages, visite museus e se tiver grana vá ao teatro. Não importa a ordem, mudar o repertório de programas pode ser uma boa.

Para encerrar, como conversar é uma arte que precisa ser desfrutada com tranqüilidade, troque os barzinhos muito barulhentos por locais aconchegantes, mas que tenham cadeiras confortáveis, porque uma boa conversa, as vezes leva horas.

Publicado no IG site Delas, coluna “Comporte-se” por lícia Egger Moellwald

Uma resposta para “ Para conversar é preciso ter competência ”

  1. Leandro disse:

    gostei muito da força.brigadão